O mercado encheu-se de fornecedores de IA em pouco tempo, e a maior parte das propostas parece igual vista de fora. Estes são os critérios que separam quem entrega de quem faz uma demonstração bonita.
1. Pergunte que processo vai ser automatizado, não que tecnologia vai ser usada
Um fornecedor que começa por falar de modelos, arquiteturas e plataformas está a vender tecnologia. Quem vai entregar começa por perguntar como funciona o seu processo, quanto tempo consome e onde falha. A conversa técnica vem depois, e é consequência.
2. Exija saber o que acontece quando a IA erra
Não existe sistema que nunca erre. O que distingue um fornecedor sério é ter resposta pronta para isto: de onde vêm as respostas, como se verifica a origem, que ações exigem aprovação humana e o que fica registado. Se a resposta for que o modelo é muito bom e raramente erra, isso não é uma resposta.
3. Confirme que o código e a infraestrutura ficam seus
Pergunte diretamente: no fim do projeto, quem é o dono do código? Onde corre o sistema? Consigo passar a manutenção para outra equipa sem renegociar? Um "sim" claro a estas três perguntas elimina metade do risco de um projeto destes.
4. Peça o âmbito, o prazo e o preço por escrito antes de começar
Projetos de IA têm fama de derrapar precisamente porque muitos começam sem âmbito fechado. Uma proposta séria diz o que entrega, em quanto tempo e por quanto, e diz também o que não entrega. Se o preço depender de horas gastas sem tecto, o risco está todo do seu lado.
5. Verifique onde ficam os dados
Alojamento na União Europeia, dados não usados para treinar modelos públicos, permissões por perfil e registo de utilização. Isto deve constar do contrato e não apenas de uma conversa. É a diferença entre ter resposta para dar quando alguém perguntar e não ter.
6. Prefira quem recusa trabalho
Este é o critério menos óbvio e provavelmente o mais útil. Um fornecedor que diz que sim a tudo, que garante retornos antes de conhecer a operação e que nunca sugere não avançar, está a vender. Quem trabalha a sério diz quando o caso não compensa, porque um projeto que não dá retorno custa-lhe a reputação.
7. Comece pequeno, mas comece a sério
Desconfie tanto de quem propõe transformar a empresa toda de uma vez como de quem propõe um piloto sem ligação a sistemas reais. O primeiro é risco desnecessário; o segundo é uma demonstração cara que nunca vai a lado nenhum. O caminho útil é um processo real, ligado a sistemas reais, em produção, com métrica definida à partida.
Em resumo
Se um fornecedor lhe explicar o processo antes da tecnologia, disser o que faz quando a IA erra, entregar o código, fechar âmbito e preço, guardar os dados na Europa e for capaz de lhe dizer que não, está a falar com alguém que já fez isto antes.

