A pergunta certa não é se vale a pena usar IA. É se vale a pena construir alguma coisa quando já existe um assistente genérico que custa poucos euros por utilizador.
O que uma ferramenta genérica faz bem
Assistentes como o ChatGPT, o Copilot ou o Gemini são bons a escrever, resumir, traduzir e explicar. Para trabalho individual, são difíceis de bater ao preço a que estão. Se o objetivo é ajudar cada pessoa a escrever mais depressa, comprar licenças resolve e não é preciso mais nada.
Onde param
Param no momento em que a tarefa precisa de saber alguma coisa sobre a sua empresa. Um assistente genérico não sabe qual é o preço que praticou com aquele cliente, não abre o CRM, não conhece as regras internas e não deixa registo do que fez. A pessoa continua a ser o elo que vai buscar a informação e a cola no sítio certo. O trabalho manual não desaparece, só muda de sítio.
A diferença em três pontos
Contexto. O agente à medida responde a partir dos documentos, do histórico e dos registos da empresa, e mostra a fonte de cada resposta. O genérico responde a partir do que aprendeu na internet.
Ação. O agente à medida consegue criar o registo, enviar o email, atualizar o sistema. O genérico produz texto que alguém tem de copiar para outro lado.
Controlo. No agente à medida define-se o que ele decide sozinho, o que exige aprovação e quem pode ver o quê. No genérico, quem controla é cada utilizador, e é por isso que informação da empresa acaba em contas pessoais.
Quando cada um compensa
Compre licenças genéricas quando o objetivo é produtividade individual e o material com que se trabalha não é sensível. É a decisão certa na maioria das empresas, e é barata.
Construa quando o processo é repetitivo, tem volume, exige dados internos e é sempre o mesmo. Aí o retorno vem de eliminar o trabalho, não de o acelerar.
Na prática, as duas coisas coexistem: licenças genéricas para o trabalho de escrita, agentes à medida para os processos que geram dinheiro.
Como decidir sem gastar dinheiro a experimentar
Escolha um processo, meça quanto tempo consome por semana e quantas vezes se repete. Se a resposta for "muitas vezes, sempre igual, e precisa de informação que está nos nossos sistemas", há caso para construir. Se for "poucas vezes e cada uma é diferente", não há.
É exatamente essa conta que fazemos no diagnóstico, e dizemos quando não compensa.

